Inibidores de apetite

Saiba os riscos de fazer dessa prática um vício

Por Tadeu Matsunaga


Uma das maiores preocupações no meio esportivo está relacionada ao peso. Em grande parte das modalidades esportivas, manter um bom condicionamento físico é um dos fatores fundamentais para uma performance destacável. Muitos, entretanto, sofrem para conseguir permanecer o peso em dia e sofrem com os quilinhos a mais na balança.

Para evitar esse problema, atletas acabam fazendo uso de remédios (inibidores de apetite), que nem sempre são recomendados, já que podem influenciar no desempenho e na saúde do esportista, principalmente aqueles ligados as modalidades de alta performance.

A nutricionista Maria Luisa Belotto conversou com o Prólogo e fez um alerta sobre os riscos de tornar essa prática uma rotina durante os treinamentos e competições.

“Esses produtos não adequados para atletas de alto rendimento já que estes indivíduos demandam um maior consumo de energia e nutrientes (carboidratos, proteínas, vitaminas e minerais) se comparados a um indivíduos não atletas, depois de um dia de treino se não houver a reposição dos nutrientes que foram utilizados nos treinos os processos de recuperação não se realizarão devidamente, comprometendo a performance no dia seguinte e podendo favorecer o surgimento de lesões”, lembra a nutricionista.

A dependência pode ocasionar distúrbios e sintomas ligados a falta de nutrientes (vitaminas, proteinas, carboidratos, fibras) no metabolismo. Esses sintomas são diversos como anemia, fraqueza, indisposição, letargia e até mesmo problemas intestinas.

“Como não sabemos o que a pessoa vai comer, é possível que ela desenvolva os distúrbios e sintomas que acarretam a falta de vitaminas, proteínas, carboidratos, fibras… tais como anemia, fraqueza, entre outros”, citou Maria Luisa. “Quando treinamos, devemos saber que a reposição dos nutrientes perdidos/utilizados devem ser repostas principalmente para atender a manutenção das funções orgânicas vitais do organismo (recuperação muscular, formação hormonal, sistema de defesa do organismo)”, emendou.

Como fica claro, os “vícios” e exigências para manter um peso sob medida faz com que atletas – amadores ou profissionais – recorram aos inibidores de apetite e, muitas vezes, sem mesmo consultar um especialista no assunto. Um erro grave, porém, recorrente.

“Sem dúvida o nutricionista é a pessoa indicada para orientar o individuo a repor o que ele gasta pela sua pratica física através da alimentação e suplementação alimentar quando esta for necessária, procurando manter o peso e a composição corporal adequada a modalidade”, salientou.

O problema, em geral, está na dependência de controlar o apetite, este tema muitas vezes não deve ser encaminhado apenas aos nutricionistas, devendo o individuo buscar ajuda psicológica. “Talvez ele tenha um transtorno alimentar, e um psiquiatra ou psicólogo são os mais indicados para identificar e trabalhar este problema em conjunto com o nutricionista. Mas esta interação entre os profissionais deve existir e na maioria das vezes isso não acontece”, finalizou.

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